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Igreja Matriz de Avelar


Na fachada da atual Igreja de Nossa Senhora da Guia, no Avelar, encontra-se a inscrição “AD 1767” (Anno Domini de 1767). Contudo, a edificação terá começado alguns anos antes. Esse dito ano coincide com a autorização para a realização de uma feira no local, sendo plausível que ambos os acontecimentos estejam relacionados.

Implantada na zona norte do Terreiro da Senhora da Guia, a igreja terá sido financiada, em grande parte, pelas esmolas provenientes da antiga ermida de Nossa Senhora da Guia, que, na primeira metade do século XVIII, já atraía numerosos devotos de toda a região.

Admite-se que a nova capela tenha sido construída sobre a ermida primitiva. A obra terá contado com o consentimento do príncipe D. Pedro, enquanto senhor da Casa do Infantado, donatária das Cinco Vilas.

O edifício apresenta uma só nave com capela-mor, fachada principal rematada em empena com brasão real e torre sineira à esquerda. O acesso faz-se por um adro elevado com degraus. A construção decorreu ao longo de várias décadas, com intervenções importantes ainda no início do século XIX, tanto no interior como na torre. Destaca-se a ação de Manuel José Ferreira Tuna (1782–1851), artista multifacetado — carpinteiro, entalhador, escultor, arquiteto e músico — responsável pelo desenho e construção do coro e do coreto, bem como pelo plano e cantaria da torre, além de trabalhos relevantes de talha.

Segundo a Direção-Geral do Património Cultural, trata-se de uma igreja no estilo neoclássico, de planta retangular, com nave única, capela-mor mais estreita, coro alto, sacristia e torre sineira. O interior apresenta talha neoclássica em tons dourados e bege.

No interior, existia um teto de madeira pintado de azul-celeste com insígnias reais. O escudo apresentava uma particularidade invulgar: as cinco quinas dispostas em aspa, e não em cruz, como é habitual.

Diversos registos paroquiais antigos referem a então nova capela da Senhora da Guia como local de celebração de casamentos, mediante licença episcopal por ainda não ser a igreja matriz, sobretudo entre finais do século XVIII e meados do século XIX. Entre 1812 e 1815, serviu temporariamente como igreja matriz, acolhendo os atos litúrgicos.

Em 1801, foi solicitado ao bispado o licenciamento para a bênção de dois altares colaterais, dedicados a São José e ao Senhor dos Milagres, processo que incluiu vistoria detalhada aos mesmos e aos respetivos paramentos.

A construção fez-se, portanto, por fases. Por exemplo, em 1776, a Câmara do Concelho do Avelar solicitou ao senhor do Infantado madeira da Mata Real de Chão de Couce para poder concluir o telhado, uma vez que as esmolas não seriam suficientes, embora as paredes estivessem já erguidas. O edifício foi sendo concluído ao longo do início do século XIX. Posteriormente, foi elevado a igreja matriz da freguesia do Espírito Santo do Avelar, como indicado em registos de 1870, face à deterioração e ruína em que a antiga igreja paroquial do Avelar se achava, esta junto ao Largo 12 de Novembro.

Na intervenção de conservação e remodelação realizada já no século XXI, perderam-se diversos elementos originais: o teto colorido foi substituído por um acabamento simples em tons de madeira; uma impressionante pintura da Senhora da Guia deixou de estar no teto da capela-mor; foram removidos os azulejos com cenas da vida de Maria e eliminadas duas portas laterais junto ao altar-mor. A pintura que presidia ao altar foi deslocada para a nave central, sobre a porta lateral sul.

 

Fontes / Bibliografia

  • Livro: Os Antigos Avelarenses e sua parentela vicinal. Raul Manuel Coelho. 2025.

  • Fotografia: Capela de Nossa Senhora da Guia do Avelar. Raul Manuel Coelho. 2026.

Última atualização: 09-05-2026

Informações


Morada: Praça Costa Rêgo n.º 412

Código Postal: 3240 - 314

Localidade: Avelar

Localização (Lat., Lon.): 39.923796, -8.357298

Imagens


Localização


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